Revista de Ciência Elementar

Resolução de Problemas e Trabalho Prático na Educação Pré-Escolar e no 1º CEB

Cristina Marques e Sandra Ricardo

O ensino e a aprendizagem das Ciências apresentam dificuldades de vária ordem. Uma delas prende-se com a resolução de exercícios e/ou problemas, uma vez que, frequentemente, estes são resolvidos de forma mecanicista, são resolvidos após a apresentação dos conteúdos, recorrem a situações criadas para o efeito e induzem à utilização de fórmulas.

 

 

No contexto da investigação didática, o significado que se atribui a problema difere do de exercício em aspetos como: (i) o tipo e a quantidade de informação fornecida ao aluno; (ii) o tipo de contexto (académico ou real); (iii) a indicação e/ou a existência do(s) modelo(s) teórico(s) que reproduza(m) a situação; (iv) a orientação da resolução; (v) o conhecimento de um algoritmo. Na educação formal, verifica-se que a resolução de “problemas” é, muitas vezes, uma resolução de exercícios.

 

 

A resolução de problemas visa: (i) o desenvolvimento de atitudes, como a persistência, o espírito de sacrifício, o trabalho em equipa; e (ii) o desenvolvimento de competências de alto nível, como a procura, seleção e tratamento de informação, a mobilização de conceitos e das suas relações, o uso de modelos teóricos existentes ou a modelização da situação, o estabelecimento de conexões entre várias áreas curriculares, a utilização de algoritmos e/ou deduções de novas relações matemáticas.

 

 

Nesta apresentação propomos a resolução de problemas através da execução de uma atividade prática. Este processo desenvolve-se em diversas etapas:

1. Escolhe-se um contexto real, de preferência familiar ou próximo das vivências do aluno;

2. Identifica-se e/ou formula-se o problema sob a forma de questão a responder, o qual deve ser estimulante para o aluno;

3. Faz-se o delineamento da resolução do problema;

4. Resolve-se o problema.

Para o delineamento e a resolução do problema, etapas fundamentais deste processo, há passos a seguir:

a) Averiguar o que se sabe e o que não se sabe sobre o problema (ter em conta o conhecimento prévio dos alunos e recolher e selecionar informação relevante);

b) Formular hipóteses (de resposta ao problema);

c) Testar as hipóteses, elaborando e executando um procedimento prático;

d) Recolher e tratar os dados obtidos;

e) Interpretar os resultados e tirar conclusões.

Note-se que a informação recolhida sobre o problema clarifica o que se sabe ou não se sabe, o que pode obrigar a uma reformulação do problema. Por outro lado, a testagem de hipóteses pode conduzir à exclusão de hipóteses e/ou à formulação de novas. Portanto, a resolução de problemas é um processo dinâmico.

Importa salientar os papéis dos alunos e do professor. Os alunos devem ter uma participação ativa na resolução do problema. O professor deve mediar o percurso dos alunos, assegurando que estes compreendem o problema a resolver e as tarefas a realizar, dando feedback sobre o trabalho desenvolvido, incentivando a tomada de decisões, a responsabilidade e a autonomia dos alunos e avaliando sistematicamente as aprendizagens.

Propomos, assim, um Guião de atividade prática, com a apresentação de dois exemplos:

Referências

A Experiência Matemática no Ensino Básico (2008). Programa de Formação Contínua em Matemática para Professores dos 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico. Ministério da Educação, Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular: Lisboa.

LOPES, J. B. (2004). Aprender e Ensinar Física. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa.

MARQUES, Cristina M. C. (2011). Contributos para a promoção de aprendizagens de qualidade em química introdutória no ensino superior. Tese de doutoramento. UTAD: Vila Real.

SOUSA, Ariana B. (2014). A Resolução de problemas como estratégia didática para o ensino da Matemática. Relatório de Matemática. Universidade Católica de Brasília.

Cristina Marques e Sandra Ricardo
do DQ/ECVA e DM/ECT da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro