Revista de Ciência Elementar

Ensino em contexto de laboratório escolar da paisagem

Autor: Manuela Lopes

Os Laboratórios Escolares da Paisagem, definidos como espaços verdes multifacetados de dimensões variáveis e com caraterísticas favoráveis à investigação escolar e à efetiva interiorização de valores ambientais em contexto real de paisagem (Lopes, 2015), e as Salas-laboratório da Paisagem, apetrechadas para atividades complementares ao trabalho de campo realizado, permitem ações propícias a aprendizagens conducentes a uma plena consciência de cidadania.

Figura 1. Alunos em trabalho de campo, em contexto de Laboratório Escolar da Paisagem.

 

 

As atividades seguidamente referidas constituem propostas de trabalho com alunos do oitavo ano de escolaridade no âmbito da temática “Sustentabilidade da Terra”, podendo abranger diferentes metas do currículo da disciplina de Ciências Naturais.

Nesse contexto, o trabalho proposto poderá ser realizado para aplicação de conhecimentos em novas situações num processo de consolidação dos mesmos. Numa primeira fase poderá ser feita uma apresentação multimédia, em sala de aula, de identificação de diferentes problemas ambientais e de compreensão de conceitos inerentes à sustentabilidade ambiental. Numa segunda fase será feita uma saída de campo a uma área na proximidade da escola, preferencialmente a um Laboratório Escolar da Paisagem, onde seja possível desenvolver, com caráter de continuidade, trabalho experimental no âmbito da qualidade do solo, da qualidade do ar, da qualidade da água, da biodiversidade e da qualidade de vida no local ou nas imediações do mesmo. Na figura 1 podem observar-se alunos a realizar um trabalho investigativo em contexto de Laboratório Escolar da Paisagem.

Figura 2. Dois aspetos de maqueta de habitação sustentável.

 

 

Nesta saída, foram recolhidas amostras (solo, água…) e foi feita a identificação de situações, com recurso a registos escritos, de vídeo ou fotográficos. O trabalho desenvolvido pelos alunos foi orientado por um guião que, de acordo com uma metodologia de Aprendizagem Baseada na Resolução de Problemas (ABRP), permitiu a colocação de sucessivas questões-problema e forneceu pistas de investigação. Na escola, na Sala-laboratório da paisagem, foi posteriormente feito o estudo laboratorial das amostras recolhidas, com reflexão sobre os resultados das mesmas, e foram tiradas conclusões sobre ameaças à sustentabilidade do local, sendo avaliadas propostas de solução dos problemas diagnosticados. Finalmente, os alunos tiveram oportunidade de planear uma maqueta, a realizar, de uma habitação sustentável em ambiente urbano.

 

 

Na figura 2 pode visualizar-se a maqueta de uma habitação sustentável, podendo observar-se as preocupações de gestão de resíduos (presença do ecoponto), de transportes não poluentes (presença de carro eléctrico), de equilíbrio térmico e sequestro de Carbono (presença de cobertura verde e de jardim vertical) bem como de uma favorável orientação solar, de gestão de águas pluviais excedentes (presença de depósito de águas excedentes na cobertura verde e de energias renováveis (presença de painel fotovoltaico).

Em conclusão, um novo contexto educativo que envolva mais os alunos no “saber fazer” poderá constituir uma solução para alguns problemas de aproveitamento escolar diagnosticados na atualidade.

Referências

1. Lopes, M. M.T.S. (2015). Qualificação da paisagem de parques urbanos ribeirinhos com valorização da sua função educativa - Caso de estudo: O Parque Oriental da cidade do Porto como Laboratório Escolar da Paisagem em meio urbano, Tese de Doutoramento em Arquitetura Paisagista e Ecologia Urbana, Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, Coimbra.

Manuela Lopes
Professora de Biologia e Geologia Escola Augusto Gil - Agrupamento de Escolas Aurélia de Sousa