Por ser uma imagem muito clara e de fácil explicação é muitas vezes apresentada aos alunos, quando se visita a Arrifana, no Grupo de Flysch do Baixo Alentejo, Unidade de Brejeira. A estrutura apresentada, com a “leitura estrutural” desenhada no bloco em primeiro plano e a imagem geológica ao fundo, representa uma movimentação de rotação em regime frágil, de topo para o lado direito da imagem, ao longo de superfícies horizontalizadas, enquanto os blocos rígidos internos evidenciam falhas de componente vertical de tipo normal com o abatimento dos blocos para a esquerda da foto. Esta estrutura em dominó (ou bookshelf) é característica quando em regime frágil a semi-frágil se exibem rotações internas que estão envolvidas por materiais mais dúcteis e de maior plasticidade. Os blocos que exibem estas rotações, como o que se observa numa prateleira de livros empurrados com o topo para a direita, são formados por grauvaques a quartzovaques e os seus envolventes mais dúcteis são formados por argilitos/xistos, as duas litologias que formam a fácies flysch das unidades presentes na Costa Vicentina da Zona Sul Portuguesa.


Paulo Fonseca
Universidade de Lisboa



O valor didático desta imagem reside, sobretudo, na forma como ilustra a relação privilegiada entre o estudo dos fenómenos geológicos e a sua representação gráfica. De facto, a maioria das pessoas usa as suas capacidades visuais para compreender melhor o mundo à sua volta. Para tal, criam imagens mentais que poderão concretizar-se em desenhos e esquemas nos quais podem acrescentar mais ou menos detalhes. Para um aluno, as representações gráficas podem ser uma forma de ancorar um conceito que se está a formar na sua mente; mas, para um professor, essa mesma representação gráfica pode dar-lhe acesso ao pensamento do seu aluno, permitindo-lhe avaliar se o conceito foi apreendido de um modo correto. Deste modo, as representações gráficas permitem traduzir ideias abstratas, a priori não visualizáveis, numa forma concreta, passível de ser discutida e corrigida, se necessário. O recurso às representações gráficas torna-se ainda mais fundamental uma vez que se sabe que há alunos que, não dominando a linguagem escrita, se expressam muito melhor através do grafismo.


Helena Moita de Deus
Agrupamento de Escolas Ruy Belo