Ao longo da história muitas são as referências a Borago ou Borragem, planta cheia de propriedades medicinais e fonte de uma grande variedade de nutrientes únicos. Nativa do mediterrâneo, Burrach foi o nome que os celtas deram a esta planta, significando “alegre coragem”. É conhecida desde a antiguidade e Plínio “o Velho” acreditava que esta planta era a Nepenthe da Odisseia de Homero que induzia o esquecimento quando infundida em vinho. Dioscórides, médico romano, percursor da Botânica moderna, na sua obra De materia medica, sugeria infusões vínicas de borago para “levantar os espíritos deprimidos” e Gerald, na sua obra Herbal celebrou as qualidades da borragem afirmando que “conforta o coração, afasta a tristeza e aumenta a alegria”. Curiosamente, entre outras novidades, a investigação mais recente demonstra que a borragem pode estimular a produção de adrenalina verificando-se ter importante papel no tratamento da depressão. Sendo a fonte vegetal mais rica conhecida de ácido gama-linoleico (GLA), parece que também poderá trazer alguma esperança na luta contra o cancro.

Rubim Almeida
Ciências/Universidade do Porto


A propósito da belíssima flor da borragem (Borago officinalis), este comentário remete para uma descrição anatómica da planta e suas utilizações. A borragem é uma herbácea anual que pode atingir 70 cm de altura. Nativa da região Mediterrânea, encontra-se naturalizada em outras regiões. Os caules e as folhas são recobertos por indumento hirsuto-áspero. As folhas são alternas, simples; as basilares são ovadas, elípticas ou lanceoladas; as caulinares são ovado-oblongas a lanceolado-oblongas, as superiores, decorrentes e rentes. As flores, em inflorescências cimeiras ramificadas, têm pedicelos longos avermelhados, corola em forma de estrela com cinco pétalas azul-violeta ou rosadas, nectários a rodear o tubo floral e estames com anteras purpúreas e compridas. Ainda que prefira solos calcários, a borragem encontra-se em todo o país em prados, pousios, incultos e escombros. É cultivada para alimentar apiários e consociada em culturas variadas para atrair insetos auxiliares no controlo de pragas. Das sementes extrai-se um óleo rico em ácido γ-linoleico utilizado em cosmética.

José Pissarra
Ciências/Universidade do Porto