Entre dois mundos: “ver” para além da imagem ótica
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- * Universidade de Aveiro
- ɫ Universidade de Aveiro
- ‡ Mestre em Criação Artística Contemporânea
Referência Nogueira, H. I., Rodrigues, J. A., Trindade, F., (2026) Entre dois mundos: “ver” para além da imagem ótica, Rev. Ciência Elem., V14(1):011
DOI http://doi.org/10.24927/rce2026.011
Palavras-chave
Resumo
A imagem «Entre dois mundos: “ver” para além da imagem ótica» foi submetida por Paulo Ribeiro-Claro, e está disponível no Banco de Imagens da Casa das Ciências.
A imagem resulta da sobreposição de uma fotografia de células estaminais, obtida num microscópio confocal, com um mapa bidimensional da distribuição espacial de componentes lipídicos na célula central. O mapa é obtido no mesmo microscópio, utilizando a técnica designada por microscopia confocal de Raman, que regista um espectro em cada pixel da área selecionada na amostra (o quadrado central). Foi criado um mapeamento de Raman, usando os valores de intensidade da banda da vibração de elongação C-H das moléculas de lípidos, que são representados numa escala de gradiente de cor do vermelho-escuro ao amarelo (com o aumento de intensidade). A transparência da imagem de Raman (sobreposta sobre a imagem ótica) mostra que a distribuição dos componentes lipídicos acompanha a morfologia da célula estaminal analisada. Temos assim uma representação visual de uma informação adicional que dá uma nova dimensão à imagem ótica, entre o mundo das células e o mundo dos dados científicos.
Helena Isabel Nogueira, João A. Rodrigues
Universidade de Aveiro
A ciência e a arte são frequentemente vistas em separado, de um lado os factos e a objetividade, do outro a subjetividade do artista. No entanto, estas duas áreas coexistem e interligam- se, ambas procurando responder aos mistérios e desafios do nosso mundo. Desde as maiores às mais pequenas coisas.
Pode perguntar-se: a que mistério responde esta imagem? Talvez à realidade das células e aos dados de microscopia. Mas e se a questão for o que ela nos faz sentir? Será possível manter neutralidade perante uma fração da imensidão do mundo celular? Terá a sua criação servido apenas a objetividade?
Há também subjetividade: escolhas de forma, cor, composição e intenção. O processo de partilha científica aproxima-se, assim, do ato criativo. A imagem conta uma história, do resultado final ao percurso de investigação que a originou. É um encontro entre células e dados, mas também entre o cientista e a realidade microscópica, onde ciência e arte se cruzam.
Francisco Trindade
Mestre em Criação Artística Contemporânea
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