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Referência (2026) Notícias, Rev. Ciência Elem., V14(1):012
DOI http://doi.org/10.24927/rce2026.012
Palavras-chave
Molécula complexa no espaço (com enxofre)
Uma equipa internacional de astrónomos anunciou a deteção de uma molécula complexa no centro da Via Láctea, reacendendo o debate sobre a origem da vida no universo (DOI: 10.48550/arXiv.2511.23299, 24 jan. 2026). A molécula, que contém enxofre, é uma das mais sofisticadas já identificadas no espaço interestelar.
A descoberta foi possível graças a radiotelescópios capazes de analisar a composição química de nuvens de gás e poeira entre as estrelas. Estes ambientes, apesar de extremamente frios e aparentemente inóspitos, funcionam como verdadeiros “laboratórios naturais”, onde se formam moléculas cada vez mais complexas.
O interesse desta descoberta vai muito além da química. Moléculas deste tipo são consideradas potenciais “blocos de construção” da vida, podendo dar origem a compostos essenciais como aminoácidos. Ao encontrá-las no espaço, os cientistas reforçam a ideia de que os ingredientes básicos da vida podem ser comuns no universo.
Isto levanta uma questão fascinante: será que a vida pode surgir noutros planetas com relativa facilidade? Embora ainda não haja provas diretas, descobertas como esta aumentam a probabilidade de que não estamos sozinhos.
Exoplaneta desafia a lógica
Uma equipa internacional com participação de investigadores portugueses anunciou a descoberta de um exoplaneta invulgar que poderá mudar a forma como os cientistas entendem a formação dos planetas. O estudo, publicado na prestigiada revista Science (DOI: 10.1126/science.adl234, 12 fev. 2026), analisou um sistema planetário em torno da estrela LHS 1903, utilizando o telescópio espacial Cheops, da Agência Espacial Europeia. O que torna esta descoberta particularmente surpreendente é a natureza do planeta identificado. Trata-se de um planeta rochoso localizado numa região onde, segundo as teorias atuais, deveriam existir apenas planetas gasosos. Nos modelos clássicos, os planetas mais próximos da estrela são rochosos, enquanto os mais distantes acumulam gases e tornam-se gigantes gasosos, como Júpiter ou Saturno.
No entanto, neste sistema, os cientistas encontraram um planeta rochoso numa órbita mais afastada, contrariando essa lógica. Após analisarem diferentes hipóteses – como colisões ou migração orbital – os investigadores concluíram que o planeta poderá ter-se formado mais tarde do que os restantes, num ambiente já pobre em gás.
Esta possibilidade sugere que os planetas nem sempre se formam ao mesmo tempo, podendo surgir em diferentes fases da evolução do sistema planetário. Se confirmada, esta ideia poderá obrigar a rever os modelos atuais de formação planetária, utilizados para explicar a origem de sistemas como o nosso.
Um novo tipo de ser vivo?
Uma descoberta científica recente está a desafiar uma das bases mais fundamentais da biologia: a forma como classificamos os seres vivos. Investigadores que estudam fósseis de organismos antigos conhecidos como Prototaxites sugerem que estes não pertencem a nenhum dos reinos atualmente reconhecidos – nem plantas, nem animais, nem fungos (DOI: 10.1126/sciadv.aec627, 21 jan. 2026).
Os Prototaxites viveram há cerca de 400 milhões de anos e tinham dimensões impressionantes, podendo atingir vários metros de altura. Durante décadas, os cientistas debateram a sua natureza, com hipóteses que os classificavam como fungos gigantes. No entanto, novas análises químicas e estruturais indicam que a sua composição é muito diferente de qualquer grupo conhecido.
Esta descoberta levanta uma possibilidade fascinante: poderá ter existido, no passado, uma forma de vida completamente distinta das que conhecemos hoje, pertencente a um “ramo perdido” da árvore da vida. Se confirmada, esta hipótese obriga os cientistas a repensar os modelos de evolução e diversidade biológica.
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