Ciência e Arte


FIGURA 1. Théâtre D’opéra Spatial. (Imagem de Jason M. Allen)

Um recente artigo do The New York Times, assinado por Kevin Rose, dá conta do 1.º lugar no concurso anual de pintura da Feira do Estado norte-americano do Colorado de 2022, atribuído ao artista Jason M. Allen. Ele concorreu na categoria digital mas a novidade é que usou o programa Midjourney baseado em Inteligência Artificial para criar a obra, que se intitula Théâtre D’opéra Spatial (FIGURA 1), passando-a finalmente à tela usando uma impressora própria.

Este resultado criou mal-estar no seio da comunidade artística por ultrapassar algumas linhas definidoras do status quo.

O programa Midjourney e outros, como o Stable Diffusion e o DALL-E2, funcionam com base em milhões de imagens acessíveis na internet, ensinando algoritmos de inteligência artificial a reconhecer padrões e relações entre eles para originarem novas imagens no estilo pretendido. O que significa que os artistas que disponibilizaram as suas obras estão, de certo modo, a contribuir para o treino dos seus competidores algorítmicos. Mas este argumento nem é o mais forte, porque uma obra que é exposta numa galeria ou museu torna-se domínio público e tem o potencial de inspirar novos artistas. A diferença reside aqui no mecanismo de criação; nestes casos, puros amadores conseguem gerar obras sofisticadas introduzindo simplesmente algumas palavras numa caixa de texto do programa.



Inteligência artificial na produção de hidrogénio verde


FIGURA 1. Estação de produção de hidrogénio na ilha de Eday-Escócia..

O hidrogénio é uma fonte de energia cada vez mais procurada por ser renovável e limpa; a sua combustão produz água. Muita investigação tem sido dedicada à produção e armazenamento deste gás utilizando fontes de energia renováveis e não poluentes, o que levou à criação da nova designação de hidrogénio verde, apesar da substância elementar ser sempre a mesma, H2. Recentemente, a empresa H2GO Power do Reino Unido, num consórcio com a European Marine Energy Centre (EMEC) e o Imperial College de Londres, instalou uma estação piloto para produção de hidrogénio verde na ilha escocesa de Eday que usa a Inteligência Artificial na sua gestão.

Este projeto foi recentemente reforçado com uma verba de 494 000 libras esterlinas do Department of Business, Energy and Industrial Strategy do governo britânico, o que mostra a importância deste tópico.

Os algoritmos de Inteligência Artificial são utilizados para integrar dados históricos e de previsão de meteorologia (ventos e marés), de preços da energia elétrica e de funcionamento da própria rede de distribuição, de modo a otimizar a produção e armazenamento de hidrogénio.



Ilhas de plástico


FIGURA 1. Distribuição de plásticos nos oceanos. (https://www.earthdata.nasa.gov/learn/articles/ocean-plastic)

Um grupo de investigadores da Universidade do Texas, em Austin-USA, apresentaram, em 2022, um estudo na revista Nature em que são usadas técnicas de machine-learning para conceber mutantes da enzima PETase que aumentem a sua atividade catalítica, com o objetivo de a aplicar à escala industrial. Esta enzima, descoberta em 2016 por investigadores da Universidade de Kyoto no Japão, é produzida naturalmente pela bactéria Ideonella sakaiensis e degrada o PET (Politereftalato de etileno), um tipo de plástico muito usado no fabrico de garrafas. A produção anual de PET no mundo é atualmente de 81 milhões toneladas, o que representa cerca de 20% da produção total de plásticos. A reduzida atividade química destes polímeros sintéticos torna a sua reciclagem difícil, criando-se assim um grave problema ambiental. As correntes marítimas vão acumulando os detritos lançados no ambiente em zonas específicas dos oceanos. Investigadores da NASA têm usado dados de satélites e técnicas de machine-learning para monitorizar essas ilhas nos oceanos da Terra; uma delas, localizada no nordeste do oceano Pacífico, e designada Great Pacific Garbage Patch, cobre uma área equivalente ao estado norte-americano do Texas ou da França (FIGURA 1).

Este é, portanto, um problema ambiental que tem ocupado equipas multidisciplinares de investigadores na procura urgente de soluções viáveis e em que técnicas de Big Data estão efetivamente a revelar-se bastante úteis.